Resenha do álbum

Autor: newuser

Data de publicação: 02.01.2025 13:58

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«Swallow The Sun - Shining»

🇫🇮 Finland • Melodic Doom Death Metal
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A nova obra dos mestres finlandeses Swallow the Sun, intitulada «Shining», já conseguiu causar grande repercussão entre fãs e críticos musicais. A banda, famosa por seus lançamentos sombrios e emocionalmente pesados nos gêneros death doom e gothic metal, decidiu em 2024 realizar um experimento ousado, convidando como produtor Dan Lancaster, conhecido por trabalhar com Blink-182, Muse e Bring Me the Horizon. Essa colaboração prometia algo ao mesmo tempo novo e arriscado: durante duas décadas, Swallow the Sun desenvolveram consistentemente seu coquetel sonoro característico de desespero, melancolia e peso, mas agora decidiram adicionar mais «brilho» e apelo radiofônico.

Os primeiros singles e as novas direções

Já com os primeiros singles«Innocence Was Long Forgotten», «What Have I Become» e «MelancHoly» – ficou claro que os músicos estavam se movendo gradualmente para territórios mais luminosos e até goth rock. Ao mesmo tempo, alguns elementos do velho e clássico Swallow the Sun continuam presentes: riffs pesados, alternados com uma atmosfera rica de teclados, além das expressivas intervenções roucas em growl do vocalista Mikko Kotamäki. Contudo, a influência do novo produtor é claramente perceptível: a sonoridade geral tornou-se mais precisa e calculada, e em alguns momentos surgem autotune e linhas suavizadas, algo inesperado para uma banda que há anos cria hinos de escuridão absoluta.

A faixa de abertura e o efeito surpresa

Observemos a faixa de abertura, «Innocence Was Long Forgotten»: ela recebe o ouvinte com tons quentes de sintetizadores e um refrão quase radiofônico, que por si só soa competente, mas pode causar estranhamento entre os fãs antigos. A ausência de vocais agressivos e a enfatizada emocionalidade gótica criam uma impressão ambígua: por um lado, Swallow the Sun sempre experimentaram e suavizaram o som em algumas faixas; por outro, uma inclinação tão forte para o pop metal parecia anteriormente algo excessivamente estranho para eles.

O retorno do peso e da identidade clássica

A composição seguinte, «What Have I Become», restaura parcialmente a confiança: os riffs pesados devolvem a banda ao seu território familiar, enquanto Mikko ativa seu growl característico, como se dissesse: «Não estamos abandonando o mainstream completamente». A estética pop não desaparece – o refrão soa bastante marcante, mas sem ferir os ouvidos dos fãs do material mais pesado. As linhas vocais, assim como os arranjos instrumentais, tornam-se uma demonstração convincente de que Swallow the Sun procuram encontrar um equilíbrio entre profundidade emocional e potencial «radiofônico».

Ampliação do experimento e lado melódico

«MelancHoly», o terceiro single, leva o experimento ainda mais longe, entrando em um quase melodismo pop rock. Há muito espaço para reflexão aqui: por um lado, a faixa soa mais leve e acessível para um público mais amplo; por outro, o risco de «perder» os fãs old school aumenta. Ainda assim, a música preserva a tristeza finlandesa característica: a atmosfera penetrante e as luxuosas linhas de guitarra criam paisagens frias familiares, embora agora adornadas com tons mais otimistas.

A artilharia pesada e a ligação com as raízes

Mais adiante, a banda ativa a artilharia pesada – faixas como «Charcoal Sky» e «Kold» lembram que as raízes do Swallow the Sun estão no som poderoso do death/doom, e que sua melancolia sombria característica continua intacta. «Charcoal Sky», por exemplo, flerta claramente com o black metal, mostrando que o grupo ainda sabe esmagar o ouvinte com paredes densas de guitarras e vocais mais agressivos. São exatamente esses momentos que fazem pensar: «Sim, isto ainda é Swallow the Sun».

A produção de Dan Lancaster e o som controverso

O trabalho de produção de Lancaster gera discussões intensas: parte do público elogia o profissionalismo, o acabamento refinado da paisagem sonora e a camada de efeitos sintetizados, que tornam «Shining» mais acessível e diversificado. Outra parte acusa a banda de esterilidade sonora e de uma «plasticidade» excessiva, especialmente por causa do autotune e dos vocais excessivamente polidos. Ainda assim, é impossível negar que as músicas mantêm aquela fratura emocional que a banda carregou em «Moonflowers» (2021), «When a Shadow Is Forced into the Light» (2019) e até em obras mais antigas como «The Morning Never Came». A diferença é que agora essa dor está envolta em uma embalagem mais brilhante.

Potencial mainstream e o paralelo com Metallica

O aspecto mais curioso de «Shining» é sua capacidade de combinar potencial mainstream com a habitual escuridão melancólica. A própria banda descreveu o lançamento como o «Black Album do Death Doom», fazendo referência à reação controversa ao «álbum preto» do Metallica em 1991. Na época, o Metallica ampliou enormemente seu público, embora tenha decepcionado parte dos fãs antigos. Provavelmente, Swallow the Sun buscam inconscientemente algo semelhante: atrair novos ouvintes, mais receptivos a formatos acessíveis, enquanto preservam o núcleo daqueles que valorizam o frio finlandês, a desolação e a grandiosa melancolia.

A dualidade do álbum e a impressão final

No fim, o álbum «Shining» representa um passo ousado rumo a uma sonoridade mais moderna e lapidada, capaz de provocar sentimentos contraditórios. Por um lado, ainda há fortes linhas de guitarra, a desesperança familiar e os riffs pesados; por outro, percebe-se uma clara inclinação ao pop metal: produção brilhante, refrões memoráveis e músicas mais curtas, sem os antigos horizontes amplos e o crescimento atmosférico profundo. Essa dualidade pode tanto atrair novos fãs para o Swallow the Sun quanto afastar os admiradores mais conservadores do death doom clássico. Ainda assim, o álbum está longe de ser um fracasso absoluto. Pelo contrário, trata-se de um experimento ousado que merece respeito, mesmo que não agrade a todos.

A nova face do Swallow the Sun e o olhar para o futuro

Se você aprecia a romântica escuridão do Swallow the Sun, não tenha medo de dar uma chance a «Shining». Por trás do brilho da produção moderna ainda se escondem a tristeza e o amargor que tornaram a banda famosa no mundo inteiro. Talvez, ao abrir mão de parte de sua antiga monumentalidade, eles tenham apenas feito uma pausa no desespero absoluto para olhar sua própria música sob uma nova perspectiva. Como mostra a história, decisões desse tipo às vezes levam às viradas mais interessantes na criatividade. Talvez seja assim que esteja nascendo a nova face do Swallow the Sun – e quem sabe quais horizontes ainda se abrirão diante deles?
Avaliação: 6/10
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